Blog

eclipses – um esquema

Para ti que estudas Astrologia e que, com tanto alvoroço nas redes sociais sobre o assunto, já não sabes o que hás de pensar sobre eclipses, aqui vai um “esquema” de pensamento para usares nas tuas análises que pode ser aplicado a qualquer eclipse sobre o mapa natal; talvez te seja útil no futuro:

 

  1. Para a interpretação dos efeitos do eclipse, é importante ter em conta as palavras-chave do signo e do grau em que ocorre, se é um eclipse do Sol ou da Lua e se ocorre no Nodo Sul ou no Nodo Norte. Não vou expor aqui as diferentes nuances de cada combinação, mas pelo menos poderás ficar com a noção básica de que um eclipse do Sol significa mudança de percepção, despertar e alavancagem ou revitalização, já um eclipse da Lua aponta para mudanças concretas de forma, mudança de sentimento ou de ligação, resultados, limites atingidos e eliminações.
  2. Genericamente, nos assuntos da casa astrológica onde o eclipse bate no teu mapa, poderá haver ACELERAÇÃO DE DESENVOLVIMENTOS, MUDANÇAS SIGNIFICATIVAS, FINS E INICIOS, SITUAÇÕES FORA DA LINHA DE “NORMALIDADE”, PONTOS DE VIRAGEM e REVELAÇÕES.
  3. O eclipse é individualmente relevante se fizer conjunção (até 5 graus) com planetas ou cúspides natais ou se fizer conjunção (até 1grau) com outros pontos calculados (como por exemplo com lote da fortuna ou com um ponto médio). Nestes casos, os assuntos específicos associados a esse planeta ou ponto vão sentir os efeitos das características do eclipse em causa e deverão ser conscientemente mobilizados.
  4. Ao nível individual, os eclipses não são bons, nem maus. Normalmente são períodos estimulantes e simultaneamente desconfortáveis, podem ser bem aproveitados ou não, e só são “alarmantes” quando o ponto do mapa que leva com o eclipse está já muito fragilizado (é um período mais provável de morte de quem está muito mal e também de partos prematuros), daí que pelo menos 6 meses antes do eclipse convém reforçar a qualidade da casa e do ponto que recebe o eclipse no nosso mapa.
  5. A manifestação e o impacto dos efeitos dos eclipses ao nível pessoal podem ser enquadrados / analisados em 3 níveis temporais diferentes:
    • de 3 meses antes do eclipse até 6 meses depois é o período em que os efeitos do eclipse (aceleração de desenvolvimentos, “anormalidades” e revelações) vão acontecendo gradualmente.
    • a época dos eclipses que genericamente podemos dizer que começa 15 dias antes do primeiro eclipse e vai até 15 dias depois do segundo (ou último) corresponde ao período no qual os efeitos são mais intensos e evidentes: os sinais disparam, a  inquietação aumenta, problemas levantam-se, insights surgem, as respostas adiadas chegam, as mudanças planeadas há muito tempo finalmente concretizam-se e há revelações do que estava oculto, sendo uma fase interessante para investigação e descobertas. É, no entanto, importante clarificar que, se a época de eclipses costuma retirar-nos da linha da nossa normalidade, isso pode representar para alguns poucos a ocorrência de rasgos de genialidade, momentos de brilhantismo, mas, o mais comum é  corresponder a uma maior probabilidade de ocorrência de comportamentos irracionais e de precipitações, alterações súbitas de estados emocionais e acidentes, pelo que durante a época de eclipses é preferível  não tomar decisões muito rápidas, muito sérias ou muito vinculativas (a não ser que tenham sido planeadas há muito tempo).
    • No dia do eclipse e mais concretamente no momento do eclipse, um dos luminares apaga-se, a instabilidade e possibilidade de perturbação é maior e por isso o recolhimento deve ser máximo. A meu ver, deve-se evitar lidar com situações novas, evitar exposição e qualquer acto que acentue desequilíbrios; se possível dever-se-á parar, meditar, fazer silêncio, olhar para dentro e nada mais.

 

Que tenhas um bom despertar com este eclipse!

Para agendares uma consulta, contacta-me!

Que espécie de Andrómeda és tu?

Dentro de alguns dias, Saturno fará a sua estação retrógrada no grau 14 de Carneiro, grau onde tem estado na verdade desde finais de Junho e onde permanecerá até finais de Agosto.

Neste grau do zodíaco tropical está a estrela Alpheratz, a mais brilhante da constelação de Andrómeda, localizada na cabeça de Andrómeda.

Um bom princípio orientador é olhar com atenção e seriedade para onde Saturno transita e aponta; sendo assim, talvez seja interessante olharmos para Andrómeda e reparar particularmente no que se passa na sua cabeça.

 

Na mitologia grega, Andrómeda foi uma vítima, uma inocente sacrificada. A sua mãe, a rainha Cassiopeia, envaidecida, afirmou que Andrómeda era mais bela que as ninfas do mar e isso enfureceu Poseidon que enviou um monstro marinho para destruir o reino. Foi então que os seus pais, os reis, consultaram um oráculo que indicou que a solução seria oferecer Andrómeda ao monstro em sacrifício. Andrómeda foi então acorrentada a uma rocha junto ao mar e ali ficou aguardando a vinda do monstro.

 

A história continua e esta vítima acabará por ser salva pelo herói Perseu com quem casa no episódio seguinte, mas o que de momento me parece interessante notar e que realmente me impressiona é que Andrómeda, por si só, nada faz.

Ela é comentada, é alvo de inveja de onde surge uma vingança e um monstro ameaçador, os seus pais usam-na como uma moeda de troca para resolver problemas e decidem o seu destino, acorrentam-na a uma rocha para que um monstro disponha dela e perante isto, Andrómeda NÃO FAZ NADA.

Não diz nada, não contesta, não tenta fugir, não negoceia, não pede socorro, não luta, não desobedece, não desafia, não discute… nada! É um bocadinho enervante, não? Ou é só para mim que sou Carneiro? Não faz nada perante esta injustiça? Não faz nada perante a anormalidade que lhe impõem? Como assim?! Não Perseu! ..aa.. não percebo!!

Sendo uma figura inerte, passiva e acorrentada, não é estranho que um dos significados astrológicos tradicionalmente associados à estrela Alpheratz, na linda cabeça silenciosa de Andrómeda, seja “desejo de liberdade e de movimento”.

 

Saturno, o planeta da experiência concreta, da experiência na pele da matéria, está prestes a fazer a sua estação retrógrada bem em cima de Alpheratz na cabeça de Andrómeda, então é possível que o mundo em geral e, mais especificamente, tu te percebas como Andrómeda: parada, à mercê de quem decide por ti (governo, chefe, especialista, director, marido, inteligência artificial, termos e condições assinados às cegas, pais, líder, cuidador, o mercado, gestor, guru, professor, etc.), à mercê de quem decide sobre o teu destino, de quem te impõe sacrifícios macabros (seja para se safarem dos problemas que eles próprios criaram, seja por outro motivo estratégico qualquer), acorrentado/a, sem manifestar qualquer discordância, sem declarar a própria vontade, desprovido/a de soberania, mantendo na belíssima cabeça apenas um inexpresso “desejo de liberdade e de movimento”.

Pá! Não há paciência para ti, ó Andrómeda! O que é que tu tens na cabeça? É que o zodíaco tem esta coisa da precessão dos equinócios e calha-te agora, nestes séculos, estar em Carneiro! E calha-te agora, nestas semanas, um Saturno estacionário em cima! “Por qué te callas” então”???

 

Saturno é o planeta da reflexão e das escolhas importantes, das que fazem girar a roda do Karma e é o regente de Aquário, o signo tanto da liberdade quanto das correntes que prendem. Assim, há uma escolha sobre liberdade ou correntes a ter lugar numa área da tua vida. Pensa bem.

Onde tens no teu mapa o grau 14 de Carneiro? Tens algum planeta ou outro ponto significativo posicionado neste grau? O que é que isso te faz pensar neste contexto?

Aí, nessa área:

  • Quem tens deixado que decida por ti e te use em seu benefício ou como escudo, sem sequer te consultar?
  • O que te está a fazer sentir acorrentada/o?
  • Que monstro aguardas de forma tão resignada?
  • Porque é que não reivindicas os teus direitos?
  • Por que não te manifestas?
  • O que é que te impede?
  • O que é que te ajudaria a reconectar com o senso de vontade própria e a ganhar voz activa?
  • Do que é que precisas para te libertares?

Nestas próximas semanas há que PONDERAR com Saturno, junto a Alpheratz, dentro da cabeça de Andrómeda, SOBRE O TEU ESPECÍFICO DESEJO DE LIBERDADE E DE MOVIMENTO e há que fazer uma escolha sabendo que onde há uma escolha há sempre um preço a pagar.

Por isso, decide (enquanto podes!) que espécie de Andrómeda és tu!

 

~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~

Se precisares de companhia para reflectir sobre este tema ou outros, agenda uma consulta.

Mercúrio novo (em Lua nova) oposto a Urano

É raro que Mercúrio inicie um ciclo sinódico (conjunção inferior com sol) em oposição à sua oitava superior (Urano) e ainda mais raro é que isso seja “vitaminado” por uma lua nova simultânea.
É raro, mas aconteceu ontem, lançando a luz do holofote da descoberta (da surpresa, do choque, do inacreditável, da epifania, da revelação, da clareza absoluta momentânea e bruta) sobre o palco do espectáculo da tua vida feita arte, com trovões e estrondos por efeito sonoro.
O importante não é o quão dramática ou impactante foi essa cena (“claro que é importante, Inês!” “Então vai contar a 3 amigas só para descarregar e depois volta para conversarmos sem distracções), o importante é que a cortina mental fechou com informação conclusiva e abriu-se instantaneamente em seguida, já com outro cenário de dados, interesses, curiosidades e potencialidades por explorar e integrar – isso é que é importante!
Uns reorientaram a sua perspectiva sobre um assunto delicado e já estão a ver com outros olhos; outros começaram a estudar algo complexo que vai leva-los às alturas; alguns iniciaram uma transformação radical na atitude, aparência ou expressão; há quem tenha recebido uma informação confidencial fundamental para dar seguimento ao seu projecto de investigação (ou ao plano diabólico – aqui não há discriminações); o António partiu a jarra da avó e descobriu entre os cacos uma foto que muda a história toda (e agora, António, o que vais fazer com isso?); uns poucos viram para lá do véu das ilusões e ainda riem descompensadamente sem parar com olhos esbulhados de maníaco (creepy); a Maria teve uma ideia genial (agora é aguentar umas semanas o entusiasmo cego a afinar e testar a coisa, de resto força nisso!) muitos viram-se confrontados com uma conversa sem escapatória cheia de emoção (ficaram dúvidas? – clarifica agora ou atrapalhas-te mais à frente); à minha volta ninguém se iluminou (que eu tenha visto), mas quem sabe? Todos viveram algo assim, com ou sem consciência, mas quem tem planetas nos graus 28 e 29 deverá saber concretamente do que se trata.
Começou um ciclo para Mercúrio, há plasticina nova para brincar! Modela-a enquanto está fresquinha e não a deixes intocada a endurecer e secar. Se te empenhares em criar a forma certa, com estes temas, dados, descobertas e revelações dos últimos dias, no final de Janeiro verás claramente um resultado desejado, um upgrade, mais liberdade e talvez um carimbo ou ovação.
~~~~~~~~~~~~~~ ~~
Para agendares uma consulta de Astrologia comigo, contacta-me!

Nova série Vénus em Escorpião

Nova série Vénus em Escorpião

de 6 a 30 de Novembro 2025

  • Affairs quase expostos
  • Segredos íntimos sobre pressão
  • Vinganças à sobremesa
  • Contas por ajustar
  • Promessas de pagamento lacrados com batom
  • Valores atirados à fogueira
  • Dívidas mascaradas

 

Estará a verdade a bater à porta? Conseguirá Marte em Sagitário libertar Vénus desta saia justa? Pode a força da ética desapertar o espartilho? Irão os laços de confiança renascer das cinzas?

Não perca os próximos episódios, numa vida perto de si

ou

marque já a sua sessão para ter o roteiro completo

Convocatória de Lua Cheia 5-11-2025

 

Convocatória

Ao abrigo da Lua cheia de  5/11 às 13:20, os Céus convocam todos os indivíduos com posicionamentos astrológicos junto ao grau 13 de Touro para a reunião de administração interna da própria vida.

Objetivo: Avaliação das transformações que tens operado em ti (e à tua volta) [☉ ♏︎]

Resultados a avaliar:

  • Como o teu corpo (♉︎) se vê ao espelho (♀ ♎︎)
  • A tua capacidade de construir e manter (♉︎) harmonia e equilíbrio (♀ ♎︎ ︎).
  • A riqueza (♉︎) que tens gerado com o refinamento da tua inteligência (♀ ♎︎)
  • A tua capacidade de consolidar (♉︎) laços/negociações/parcerias (♀ ♎︎).
  • A satisfação com o valor (♉︎) que os outros te atribuem (♀ ♎︎), isto é, com o apreço que demostram ter para contigo, o valor que te pagam, o tempo e energia que te dedicam, etc.
  • A tua capacidade de receber, conter, apreciar e valorizar (♉︎) o que o outro é (♀ ♎︎).
  • O nível de conforto, prazer e confiança (♉︎) que sentes e que proporcionas nos diferentes relacionamentos (♀ ♎︎).
  • O nível de segurança (♉︎) que sentes perante os diferentes tipos de feedback (♀ ♎︎)

Nota: Em face a resultados negativos solicitam-se soluções de aplicação imediata. Para os resultados desejados celebraremos com champanhe, bolinhos e fogo de artifício.

 

Contamos com a tua sábia presença,

Os Céus

~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~

Para agendar consultas ou aulas, contacta-me!

Eclipse do Sol a 29º de Virgem

Durante os últimos 6 meses (na sequência do eclipse solar em Carneiro do final de Março), foi importante parar para contemplar interna e solitariamente o novo cenário em que se quer viver e a nova identidade a assumir.  “O que quero?”  foi até aqui a grande questão.

No processo, definiram-se alguns pontos essenciais, com mais ou menos nitidez, e, naturalmente, os obstáculos práticos que impediram o idealizado de se tornar real não tardaram em revelar-se (Neptuno e Saturno foram entrando em Carneiro).

Hoje, 6 meses depois, temos um eclipse do Sol no grau 29 de Virgem, oposto ao Saturno em Peixes e também ao Neptuno em Carneiro com quem os luminares têm inclusive uma aliança secreta por antíscia e declinação, só para minar um futuro sólido imediato.

Não é para esmorecer, só ainda não é tempo de estabilidade ou construção, pois antes há que responder às novas questões que o eclipse coloca para que possamos dar o seguimento certo à transição. São elas:

“Como? De que forma aparentemente improvável mas totalmente sedutora?”

“Com quem?”

Se estudas Astrologia, repara como os luminares no eclipse são dispostos por Mercúrio em Balança! Então, o “como” para já vai implicar outro alguém para comunicação, troca, expressão, movimento, colaboração, partilha, eventualmente equipa. Com a ligação reforçada e perspectiva arejada é possível sair da zona cinzenta da oposição confusa e bloqueadora de Saturno-Neptuno e aproveitar a força mental e as oportunidades sociais do grande trígono no elemento Ar que os luminares irão reforçar muito em breve.

~~~~~~

Espero ter contribuído para a tua reflexão. Mas, se te confundi, ou se quiseres uma orientação particularizada através do teu próprio mapa astrológico, contacta-me.

 

Como é que eu não vi isto antes?!


Pese embora a época de eclipses seja particularmente propensa a acidentes, intensidade emocional, tiros nos pés e perdas irreversíveis (especialmente uns dias antes do eclipse) todos os eclipses são acompanhados de potenciais de mudanças notáveis e muito positivas.

O eclipse da lua de hoje, por exemplo (por ser no eixo virgem/peixes, com os luminares dispostos por planetas dignificados e ambos em bom aspecto com Júpiter) traz como potencial a incrível vantagem de nos permitir passar a ver algo relativamente óbvio (e provavelmente bom, útil e muito capaz de solucionar problemas) que estava encoberto, disfarçado, mal posicionado, mal explicado, velado.

A sensação há de ser do género de quando trocamos os móveis de posição e subitamente se revela o melhor potencial do espaço com todo um novo fluxo de movimentos e utilizações que, em boa verdade sempre ali estiveram no éter de possibilidades, mas (porque o eclipse no enevoado Peixes ainda não tinha acontecido) não se tinha percebido antes. Às vezes, inclinar o pescoço para um dos lados com o sobrolho franzido é só a antecipação de uma sinapse nova e de um inesperado “ Ah, é isto mesmo”!

E era só isto mesmo que eu queria aqui partilhar. Como recomendação: flexibilidade no pescoço e no olhar, aceitar sugestões, testar e experimentar, de preferência sem pressa.

“Como é que não vi”, “como é que não percebi”, “porque é que não testei”, “porque é que não experimentei isto antes”, são algumas das chicotadas escusadas… mas também inevitáveis, se é que escusado e inevitável podem coexistir – podem, pelo menos nesta frase e em dia de eclipse!

Feliz eclipse ou, noutras palavras, que tenhas uma excelente revelação e uma magnífica solução!

~~~~~~~~~~~~

para agendares uma sessão comigo contacta-me.

Trigo limpo, farinha Amparo

Virgem, mergulhada no ar e de aspirador em punho, aspira ao nada, aspira ao zero, a uma elipse intacta transparente de eixo maior vertical, cheia de vácuo.

Aspira, é certo, mas o saco do aspirador não é suficiente para tanta matéria particulada. Tanto pó sujo, nocivo, tão nojento, que até faz torcer a expressão, os músculos da cara! Insistir na perfeição e resistir à existência (por natureza complicada) é tarefa infinitamente difícil, frustrante, um erro. Ainda assim – porque é tão dedicada – aspira a Virgem ao nada. Nada com que se preocupar, nada para tratar, reflectir ou calcular, nada para rever ou resolver, nada. Só queria ser tranquila, virtuosa e oleada, mas ainda não está preparada! A penas segue, então, a Virgem, com o inútil aspirador, que arrasta um ruído de fundo chato, ensurdecedor – é um alívio para todos quando desliga. E só desliga para comer o resto do pão que o diabo amassou, o que ainda lhe deixa o cólon mais irritado – coitada!

Se Deus quiser, há-de compreender que nasceu ela mesma para amassar o único pão que a pode sustentar: o pão nosso ideal do Serviço útil que alimenta, feito com cereal leve derivado de integral – farinha Amparo!

Amparo, Socorro, Maria! Maria, que mania das virtudes! O mundo tem é fome da tua função mais natural! Para lá dos rótulos e das especificações superficiais, o teu pão nutre com Diligência, Atenção e Cuidado. Não é preciso reinventar a roda! É simples, não estás a perceber?! Isso: é trigo limpo, farinha Amparo!

~ ~ ~ ~ ~ ~ ~

Se estás a perceber, óptimo! 😉

Se não estás a perceber, agenda uma sessão comigo. Não prometo explicar, mas posso sacar outros enigmas com base no teu próprio mapa.

 

Na zona de rebentação

Uns bravos a nado, outros em grandes iates, muitos mortos, afogados, outros a navegar na maionese, quantos maravilhados em naus de descobrimentos recentes, radicais em pranchas de surf, a maioria a remar em bote de sobrevivência, mas todos, sem excepção, todos estamos a dar à linha de rebentação das ondas na chegada à praia de areia negra.

A travessia neste mar confuso e enjoativo de Peixes vai longa, 14 anos? 165 anos? Já nem sei quando naufraguei, devia estar a dormir, nem me lembro de me terem ensinado a boiar, mas boiei – milagre! Há milhas e meses que avistei, finalmente, uma protuberanciazinha no plano horizontal absoluto do mar: é a ilha de Carneiro. Demoro a chegar, porque sou descoordenada e só sei nadar à rã. Mas sei (é astrológico) que esta é a ilha de origem vulcânica Carneiro, claro que é, só pode ser, é!

Se me esforçar e me orientar (é para Leste, Este, Nascente, Levante, Oriente) sem perder o foco nas infinitas manhãs de nevoeiro hei de conseguir lá chegar viva e aquecer os ossos e a pele enrugada de tanta água com sal e recuperar a forma original. Eu quero e tu também. Mesmo que não saibas, sentes que estás a chegar lá onde é preciso, depois de tudo isso, disso tudo. Ou porque também viste aquele alto, o vulcão, no meio do oceano, ou porque o ouviste ao longe a explodir de erupção, sentiste o cheiro a enxofre e seguiste sinais de fumo mesmo sem saberes o que era ao certo esse chamado teu. Parabéns! Agora já sabes (no mínimo desconfias). Estamos a levar com o rebentar das ondas, são mais umas braçadas, está quase!

Há medida que Neptuno quer e não quer sair de Peixes e os eclipses aceleram tudo e as retrogradações dos mediadores Vénus e Mercúrio se dão na transição zodiacal entre o fim do fim e o início do início, nadamos com garra para a frente mas o mar de inconsciente puxa-nos de arrasto para trás, entre espuma e rochas afiadas como facas, para nos apercebermos que a nova costa é vida brava e não fincamos pé na areia preta sem antes rasgar pele e limites que já eram, derramar sangue, deixar mais qualquer coisa para trás (talvez as percepções maravilhosas mas irrealistas e umas quantas angústias de perdas terríveis que não servem para nada) e recuperar mais qualquer coisa do oceano que vale a pena trazer à tona (um talento adormecido para reanimar, um sonho possível, uma visão nobre para a humanidade em que te cabe participar, ou uma simples esperança egoísta que é tempo de cumprir).

São mais umas semanas, um par de meses, nesta lavagem e salgalhada final, mas já dá para imaginar a respiração ofegante a abrandar lentamente quando me deitar de costas na areia áspera com o sol inclinado a bater-me em dourados na glória do feito heroico que é chegar.

Um ambiente novo, mais quente e seco, sem dúvida, só que… esta ainda não é a ilha dos amores (era bom); é uma ilha vulcânica cheia de piratas e a qualquer momento há lava quente plástica de possibilidades novas e empreendedoras a escorrer pelo chão que se promete fértil e vai ser preciso rapidez no corpo e leveza na alma. Daí que mal dará para recuperar o fôlego. É baixar as sobrancelhas sobre as pálpebras tensionadas como quem traça um objectivo imediato com a autoridade que se tem, arregaçar as mangas, arreganhar os dentes e começar como quem nasce: com o próprio grito!

São mais umas semanas ou um par de meses. Força!

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Para consultas de Astrologia, contacta-me.

Serpente frita

Mau é não saber lidar com ela, terrível é não a reconhecer em toda a parte. Se não em ti, pelo menos fora. Serpentes em todas as frentes, para toda a gente, como se vê no mapa do céu: Lilith destacada, destapada.

À tua espera entre as varetas de um guarda-chuva feio (de que não gostas) e que só abres para te cobrir convenientemente do temporário temporal, ou enrolada na asa de um cesto que queres pegar, mas não podes, no rasto de tinta de uma assinatura incerta, à espreita na manga de um aperto de mão frouxo, mal dado, em quase tudo que é pecado, lá está ela, poderosa, ubíqua, universal.

Tens visto muitas? Alguma em especial? Seduziu-te? Mordeu-te? Olha que arde!

São uma tentação, eu sei, por isso devoro-as ao pequeno almoço: serpente mal passada, de pele a estalar na sertã, cubro-a com sal e molho de veneno picante e um punhado de ervas míticas de Asclépio só para avivar o sabor que é vagamente a maçã.

Sei que em excesso dá loucura, sei. Não posso exagerar, não posso… senão é ela quem me cozinha e come por dentro e rato não sou, nem inocente. Lilith em Balança entre Marte e Plutão é para tomar com moderação. Pedaços de encantamento e lucidez, é Serpente frita no wok ch Inês.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Para mais receitas encriptadas ou consultas de Astrologia contacta-me