
Virgem, mergulhada no ar e de aspirador em punho, aspira ao nada, aspira ao zero, a uma elipse intacta transparente de eixo maior vertical, cheia de vácuo.
Aspira, é certo, mas o saco do aspirador não é suficiente para tanta matéria particulada. Tanto pó sujo, nocivo, tão nojento, que até faz torcer a expressão, os músculos da cara! Insistir na perfeição e resistir à existência (por natureza complicada) é tarefa infinitamente difícil, frustrante, um erro. Ainda assim – porque é tão dedicada – aspira a Virgem ao nada. Nada com que se preocupar, nada para tratar, reflectir ou calcular, nada para rever ou resolver, nada. Só queria ser tranquila, virtuosa e oleada, mas ainda não está preparada! A penas segue, então, a Virgem, com o inútil aspirador, que arrasta um ruído de fundo chato, ensurdecedor – é um alívio para todos quando desliga. E só desliga para comer o resto do pão que o diabo amassou, o que ainda lhe deixa o cólon mais irritado – coitada!
Se Deus quiser, há-de compreender que nasceu ela mesma para amassar o único pão que a pode sustentar: o pão nosso ideal do Serviço útil que alimenta, feito com cereal leve derivado de integral – farinha Amparo!
Amparo, Socorro, Maria! Maria, que mania das virtudes! O mundo tem é fome da tua função mais natural! Para lá dos rótulos e das especificações superficiais, o teu pão nutre com Diligência, Atenção e Cuidado. Não é preciso reinventar a roda! É simples, não estás a perceber?! Isso: é trigo limpo, farinha Amparo!
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Se estás a perceber, óptimo! 😉
Se não estás a perceber, agenda uma sessão comigo. Não prometo explicar, mas posso sacar outros enigmas com base no teu próprio mapa.