A Sombra no Horóscopo

Sei que é comum associar-se Plutão (a força do submundo) à Sombra e parece-me bem. Também as casas 8 e 12, por se relacionarem com o inconsciente (pessoal e colectivo) parecem ter clara ligação com o conceito psicológico de sombra ou seja: aquelas partes de nós não integradas, varridas para debaixo do tapete por serem, por algum motivo, ainda inaceitáveis. Da mesma forma, concordo com a perspectiva na qual o Descendente também representa a Sombra, na medida em que é para o Descendente (o fora de mim) que lançamos tudo aquilo que consideramos “não eu” e que, por esse motivo, à partida, não estará integrado na personalidade. Mas… Inspirada pelo magnífico trabalho do super neptunado artista Vincent Bal “Shadowology”, pus-me a pensar sobre a Sombra no horóscopo de uma forma menos abstrata e mais física.

Eu tenho Asc em Virgem e talvez por isso seja importante para mim fazer experiências e ter exemplos concretos para me acercar da realidade, então olhei para o mapa astral como se fosse uma maquete dinâmica, cheia de funcionalidades. Ocorreu-me então que a forma mais concreta e óbvia de Sombra num horóscopo é o ponto diametralmente oposto ao Sol!!!! Claro, pois se o Sol é a fonte de Luz e se no centro do mapa está o indivíduo (é que é mesmo no centro do mapa que está a cruz da encarnação, o símbolo da Terra, a soma, o corpo), por mais que ele rode e se vire para onde quiser, vai sempre fazer sombra no ponto oposto ao Sol!

Vai daí, peguei no meu mapa, pus um objecto opaco no seu centro (uma borracha – não tinha um borracho, senão era o que lá tinha posto, lol) e uma lanterna no lugar do Sol e com o entusiasmo de um adolescente que descobre a masturbação (ok, nem tanto!…. mas pá, tenho Júpiter peregrino em Escorpião, if you know what I mean, lol) verifiquei o seguinte: a dimensão da Sombra será directamente proporcional à opacidade, à materialidade do centro – ao seu materialismo, melhor dizendo – e, por conseguinte, inversamente proporcional à sua subtileza, à sua vibração, capacidade de sublimação ou desenvolvimento espiritual. Daqui concluo também que para se iluminar a Sombra não adianta aumentar a intensidade do foco de luz, é antes preferível fazer do corpo translúcido, transparente! Mais: quanto maior for o círculo (ou seja, quanto maior for o raio das casas) menor é a amplitude e intensidade da Sombra. Explicando melhor: se o foco de Luz estiver demasiado perto do objecto do centro cria-se demasiada sombra – experimenta e vê. Eu acredito que a experiência na vida é representada pela circulação dos planetas (os trânsitos) à volta do mapa e que, como a experiência, que são os trânsitos, estão presos ao indivíduo que está no centro, eles – os trânsitos – no seu movimento vão criando uma força centrífuga que vai alargando a roda, permitindo abarcar e incluir cada vez mais universo à volta do centro, à volta do individuo. Repare-se como as setas que saem de dentro para fora do mapa e que marcam o ASC e o MC aludem (pelo menos aos olhos desta engenheira enlouquecida) à existência dessas forças centrífugas. Então, do meu ponto de vista, fruto do experimental, quanto maior a experiência que temos na Vida, quanto mais voltas damos à Vida com as voltas que a Vida nos dá, maior é o circulo à volta do centro, o que torna a Sombra mais dispersa, mais difusa, menos escura.

Em resumo: para além de Plutão, DSC, casa 8 e 12, também o ponto oposto ao Sol revela no horóscopo um lugar de sombra. Não é aumentando a luz do Sol que se reduz a sombra. A sombra diminui com a subtilização da existência na Terra e torna-se mais difusa (menos intensa) com o alargamento da experiência.

Aplica ao teu mapa e vê se te faz sentido haver sombra na casa e particularmente à volta do grau oposto ao Sol! No meu mapa faz sentido e se tu não me deres feedback… fico sentida. 😉